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(texto resumido)
“Acordei às seis horas da manhã, ao som de uma música bem baixinha, que parecia sair do travesseiro. Ela foi ficando cada vez mais alta e, como eu não conseguia dormir, levantei-me. Que interessante! Um despertador acionado dentro do travesseiro!” pensei eu. Lavei o rosto e tomei a refeição matinal: uma mescla dos hábitos japoneses e ocidentais.
Em primeiro lugar, li o jornal. Numa manchete de primeira página, anunciava-se a eleição do presidente Mundial. O dia das eleições estava próximo. Publicavam-se os nomes e as fotos dos candidatos de diversos países: Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Vietnã, União Soviética (cujo nome era outro) e países da América do Sul.
Na página três, deparei com algo inesperado: quase não existiam artigos sobre crimes. Dava-se grande destaque à parte relativa às diversões. Os artigos principais versavam sobre esporte, turismo, música, belas-artes, teatro, cinema, etc.
A página de anúncios e classificados também era muito diferente. Quase não havia propaganda de remédios e a de cosméticos era mínima. O que havia em abundância era propaganda de livros e artigos relacionados às vestimentas, alimentação, moradia, etc.
Terminei a leitura com muito boa disposição. E não era para menos, pois a janela era ampla e a sala estava bem clara. Não havia nenhuma instalação de segurança; explicaram-me que assaltantes e ladrões eram histórias do passado.
Terminada a leitura do jornal, peguei o carro e saí. Assim que entrei no carro vi que não havia motorista. Nem era preciso, pois bastava o passageiro segurar uma barra com uma das mãos para o carro movimentar-se.
Estava muito bem vestido, mas fiquei surpreso com a beleza da cidade, parecia um jardim. Engraçado é que, além dos automóveis, não se via nenhum outro tipo de condução, o que não era de se admirar, pois os trens e os bondes, trafegavam pelo sub-solo, as ruas eram só para os automóveis. Além disso, estes não faziam nenhum barulho. Achando estranho, olhei bem e notei que a rua parecia forrada com cortiça. Percebi tratar-se de um material elástico e bastante macio, que parecia ter sido preparado com a mistura de borracha e pó de serra. Os carros trafegavam com pneus de borracha e existiam dispositivos para isolar o som em volta das janelas e em toda a parte, não havendo pois, motivo para poluição sonora. A força motora que movimentava os carros era um minério do tamanho da ponta de um dedo. Algo realmente extraordinário, porque conseguia fazer com que um carro percorresse várias dezenas de milhas. Esse minério assemelhava-se ao urânio e ao plutônio, sendo uma aplicação do princípio da desintegração do átomo.
Comecei a visita pela cidade. Como era bela! Fiquei surpreendido ao ver árvores frutíferas entre a rua e a calçada: havia figueiras, caquizeiros, ameixeiras e pereiras. No meio da rua existiam canteiros separando as duas mãos de trânsito; neles se enfileiravam árvores frondosas, cobertas de belas flores.
Em diversos pontos da cidade, havia pequenas casas de chá com mesas e cadeiras na beira das calçadas, a fim de que os transeuntes pudessem tomar bebidas simples apreciando as flores. Cada bairro possuía um ou dois pequenos parques públicos, onde as crianças brincavam alegremente, e por isso a cidade também era o Paraíso das crianças.
Outro aspecto que me surpreendeu foi o tempo, que também era controlável. Assim, se na manhã ou na tarde de certo dia da semana chovia, depois fazia tempo bom tempo até determinado dia.
Em diversos locais havia umas casinhas de vidro, semelhantes a caixas, onde se podiam ver árvores com pinheiros, cedros e outras. Nessas casas conservava-se a temperatura de mais ou menos dez graus centígrados: naturalmente, havia um aparelho de ar condicionado para cada uma. Eram oásis artificiais para aqueles que transitavam pelos arredores, sob o sol quente de verão.
Em todos os locais vi jovens realizando diversas atividades sob a orientação de um responsável, que tinha vasto conhecimento de botânica e fora selecionado entre os componentes da comissão de cada bairro.
Enquanto eu fazia isso e aquilo, parece que ia anoitecendo, mas não se sentia que já era noite. Aliás, não era para menos, pois nas ruas existiam postes de iluminação a mercúrio. Os raios de luz eram diferentes dos que são emitidos pelas lâmpadas: muito claros; um brilho surpreendente. Parecia estar-se recebendo a luz do sol em plena luz do dia e nenhuma das cores sofria modificação.
De carro, eu via as lojas da cidade, enfileiradas. Eram construções bem planejadas, cheias de beleza e altivez. As lojas, um pouco maiores, pareciam museus de artes. Aliás, não se via construções de mau gosto, de cores berrante, pequenas como caixinhas de fósforos. Todas tinham janelas amplas e iluminação suave. A beleza da pintura e da escultura estava aplicada ao máximo.
Naquela cidade, até as lojas bem grandes conseguiam suprir as suas necessidades com apenas dois funcionários, visto que as mercadorias tinham os preços marcados e qualquer pessoa podia pegá-las e examiná-las. Se os fregueses ficavam satisfeitos com o preço e o folheto de explicação, depositavam o dinheiro na caixa coletora colocada à entrada da loja; o embrulho era feito automaticamente por uma máquina e, de acordo com o tamanho do objeto, era amarrado com um barbante, tornando fácil de carregar. Dessa forma, era muito fácil fazer compras.
Como sentisse fome, entrei num restaurante. Não se avistava nenhum garçom. Sentei-me num lugar desocupado e olhando para a mesa vi que era numerada. Depois, apertei um dos botões instalados no canto. Naturalmente, apertando o botão correspondente ao número da mesa e a identificação do prato, este aparecia imediatamente por meio de uma abertura que havia no meio da mesa.
Assim, tudo que eu pedia subia logo em seguida. Não havia necessidade de nenhuma explicação: o serviço era muito rápido, muito agradável. Obviamente, todas as bebidas saíam pela mesma abertura, mas as alcoólicas só apareciam até certo limite. Observando melhor, vi que havia mais um botão. Nele estava escrito: “Conta”. Apertei o botão e, imediatamente, surgiu a notinha . Coloquei a quantia estipulada, e logo apareceu o recibo. Que facilidade! Fiquei satisfeito e não gastei muito tempo. Por isso, resolvi ir a um teatro.
A quantidade de teatros era surpreendente. Qualquer cidade os possuía em tudo quanto é lugar e, para meu espanto, o ingresso era muito barato. Imaginando que não haveria nenhum lucro, interpelei o gerente. Ele respondeu que todos os teatros eram administrados por milionários como obras sociais e assim nem seria preciso cobrar ingresso.
Nesse novo mundo, era surpreendente a intensidade do turismo. Nos parques nacionais, nas regiões montanhosas, nas praias e em ilhas pitorescas de várias regiões havia um grande número de visitantes, provenientes de todos os países. Consequentemente, por mais afastado que fosse um lugar, o progresso cobria todas as distâncias com trens elétricos, bondinhos aéreos e outros meios de transporte. As ferrovias e os meios de navegação eram magníficos e luxuosos; os preços, no entanto, eram bem baratos. Chegava quase a ser de graça. E não era de se admirar, pois tudo isso também ser tornava possível graças a contribuição social dos milionários.
Todas as cidades tinham um ou dois centros comunitários, onde uma vez por semana, os membros se reuniam para trocar idéias: avaliavam propostas sobre o plano de expansão da cidade, higiene, diversões e outros setores, objetivando aumentar o bem-estar dos cidadãos.
Caros leitores, gostaria que imaginassem o aspecto da cidade que acabei de descrever. As mais diversas flores todas abertas, exalavam um perfume agradável por toda parte, e as árvores estavam carregadas de todos os tipos de frutas. O silêncio era tão grande que não aparecia estar-se numa Metrópole. Que passeio agradável!
Como estava exausto, voltei para casa e fui dormir.
Refletindo sobre o que vira nesse dia, concluí que realmente o sonho da humanidade havia sido concretizado. “