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Capítulo LXX
No dia em que o Palácio de Cristal foi concluído, 11 de dezembro de 1954, Meishu-Sama deixou o Solar da Nuvem Esmeralda e pernoitou no Palácio de Cristal. Chamou, então, os dirigentes e, antecipando-lhes que seria breve, disse: “Finalmente entramos no verdadeiro eixo da Obra Divina. Daqui para frente acontecerão muitos fatos estranhos, por isso não vacilem ...” Em seguida, Abe Seizõ, seu secretário, sintetizou os objetivos daquela construção, salientando dois pontos. Em primeiro lugar, que o Palácio de Cristal fora construído por Ordem de Deus como protótipo do Paraíso Terrestre e, assim jamais poderia ser exclusividade da Igreja. O Mestre queria que o maior número de pessoas se deleitasse com aquela paisagem pitoresca, verdadeira dádiva dos céus. Em segundo lugar, que a estrutura da Igreja seria reformulada e, portanto, só deveriam ser escolhidos para a ordenação sacerdotal elementos humanos qualificados com base em três pontos: grande força de Johrei, capacidade de salvar e converter muitas pessoas e prestação de relevantes serviços a Deus.
Os fiéis que se reuniram na Terra Celestial com o objetivo de recepcionar Meishu-Sama, não sentiram vontade de ir embora nem mesmo quando ele entrou no Palácio de Cristal, às 13h, ficando cada um no lugar onde achava melhor. Exatamente nessa hora, começou a subir do canto do acrílico, na parte sul do prédio, algo semelhante a uma névoa branca, que, pouco a pouco, ia emitindo um brilho dourado. Enquanto algumas pessoas que perceberam o fenômeno gritavam: “Olhem! É Luz! É Luz!” , aquela luminosidade foi se expandindo até envolver todo o Palácio. Nisso, bem no centro, apareceu nitidamente uma gigantesca Coluna de Luz, lançando magníficos raios brancos em direção ao céu. Katsuno Massahissa, que mais tarde se tornou dirigente da Igreja Kõmyõ, assim descreveu a ocorrência:
“Terminada a recepção a Meishu-Sama, eu ia seguindo em direção ao Palácio de Cristal, pelo caminho íngreme situado do lado leste da Colina das Azaléias. Por causa das plantas, não conseguia enxergá-lo do lugar onde estava, mas, subitamente, ouvi gritarem: “Olhem! É Luz! ...” Olhando para cima, vi, no centro do telhado do Palácio de Cristal e um pouco para a esquerda (lado do Templo Messiânico), uma Luz bem forte cujos raios, formando como que uma coluna, alcançavam o céu, brilhando ofuscantemente. Fiquei realmente impressionado. Os fiéis que me acompanhavam também puderam ver o fenômeno, o qual durou apenas alguns instantes, talvez dois ou três minutos. Foi um breve espaço de tempo, mas ainda me lembro como se fosse hoje.
O aspecto majestoso daquela Coluna de Luz era algo não só emocionante mas irresistível, que fez com que eu me curvasse. Na ocasião, eu estava sofrendo muito, devido a um problema de relacionamento humano, mas, com o grande milagre ocorrido nesse dia, meu sofrimento voou para longe. E não foi só. Essa experiência é, até hoje, o sustentáculo de minha fé.”
No Culto do Natalício de Meishu-Sama, em 23 de dezembro, ele esteve presente, o que já não acontecia desde a Cerimônia de Comemoração Provisória da Vinda do Messias, seis meses antes. Por aqueles dias seu estado físico era relativamente bom e, na véspera, ele chegara até a ficar em pé sem ajuda de ninguém. No dia 25, falou: “Meu corpo começou a ganhar forças.”
Depois que entrara em purificação, o Mestre pedira aos fiéis para enviarem salmos, dizendo-lhes: “Os salmos, na verdade, devem ser feitos e oferecidos pelos fiéis, e não por mim.” Assim, no Culto comemorativo do seu 72º natalício, foram entoados, em forma de salmo, quatro poemas compostos por Yoshi, entre os quais este que traduz o pressentimento de Meishu-Sama:
“Deitado, agora,
No Solar da Nuvem Esmeralda,
Aguardo em silêncio
O momento determinado pelos céus.”
No dia 1º de janeiro de 1955, por ocasião do Culto do Ano Novo, vencendo as dificuldades, Meishu-Sama apresentou-se perante os fiéis, sentado na cadeira de rodas, e fez a seguinte saudação: “Creio que está difícil me ouvirem bem, pois ainda não consigo falar muito alto, mas só o fato de ter melhorado e poder me dirigir aos senhores já é uma alegria imensa para mim.”
No início do ano, Meishu-Sama ainda continuava dispensando atenção às obras de arte. Dava rigorosas orientações a Yoshi e aos dedicantes sobre os cuidados que deveriam ter ao lidar com elas. Eram orientações completas, dadas com grande entusiasmo, como se ele estivesse querendo transmitir os ensinamentos que lhe restavam pregar.
O fato que narramos a seguir aconteceu no dia 28 de janeiro: Encontrando um papel colado numa caixa onde estava guardada uma peça de cerâmica japonesa, Meishu-Sama perguntou: “O que está escrito aqui?” Onishi Akio, encarregado de preparar as obras que ele iria examinar, ficou atrapalhado com aquela pergunta inesperada e, sem verificar muito bem, disse: “Não consigo ler”. O Mestre dirigiu-se, então, a Yoshi: “E você?” Primeiro ela disse que também não sabia, mas, examinando melhor, conseguiu ler corretamente. No papel estava escrito: No papel estava escrito: “Propriedade dos Akaboshi”. Aí, Meishu-Sama orientou Onishi: “Você não pode tomar atitudes levianas à toa, sem refletir, pois, assim, vão achá-lo um ser limitado. Se você agir sem pensar bem no que vai fazer, não se poderá dizer que é um grande personagem. É preciso estar sempre atento aos mínimos detalhes, para não deixar passar nada despercebido e, dessa forma, não dar margem a brechas. A família Akaboshi, de Kyushu, é muito famosa. Se você estivesse numa luta de espadas, teria perdido a máscara e o colete, e já não estaria vivo. É preciso não deixar nenhuma brecha por onde possam apertá-lo.” As pessoas que ouviram essas palavras, não conseguiram ficar alheias, recebendo-as como se fossem dirigidas a elas próprias.
Baseando-se na atitude de Onishi, que ficara atrapalhado com uma pergunta inesperada, o Mestre ensinou a importância de estarmos tranqüilos e procurarmos descobrir a essência de todas as coisas com as quais lidamos. Ao mesmo tempo, mostrou que é muito importante a pessoa estar sempre preparada para não vacilar diante de qualquer pergunta, seja ela qual for.
Alguns dias depois, no Culto do Início da Primavera, realizado a 4 de fevereiro, vestindo um “hõ” (casaca que as autoridades civis e militares vestem quando vão ao Palácio Imperial. A cor é definida de acordo com a hierarquia.) dourado e andando com suas próprias pernas, Meishu-Sama foi até o centro do palco do Templo Messiânico e fez a seguinte saudação: “Hoje, depois de muito tempo, estou conseguindo dirigir estas palavras aos senhores. Gostaria de dizer muitas coisas, mas, quando falo um pouco alto, sinto a cabeça estalar. Por isso, depois que me recuperar mais um pouco, pretendo falar bastante. Creio que não vai demorar muito. (...) Peço que aguardem mais um pouco.”
Ao ouvir a voz do Mestre, vigorosa, apesar de baixa, os sete mil fiéis que lotavam o Templo Messiânico encheram seus corações de esperança, achando que em breve ele ficaria restabelecido. No entanto, aquele Culto do Início da Primavera de 1955 foi a última vez em que o viram com via.
(Próxima edição: O Tão Ansiado Pote de Glicínias)