Rio de Luz - [Junho] -------------

Rio de luz


 

Meishu-Sama: minha história de fé

A construção do sepulcro e o sepultamento

Capítulo LXXII

A construção do sepulcro foi considerada uma obra milagrosa realizada pelos dedicantes, que, erguendo-se da tristeza, trabalharam dia e noite para terminar o trabalho a tempo do Culto de Sepultamento, o qual seria realizado dali a uma semana.

Situada dentro do Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu, a Terra Divina é também uma região paisagística. Por isso, era proibido construir sepulturas no local e enterrar corpos sem cremar. Mas esse difícil problema também foi vencido milagrosamente, graças ao ardoroso empenho dos discípulos. Quem se empenhou mais intensamente para obter a compreensão do governo do Estado de Kanagawa, foi Isihara Torayoshi, que, mais tarde, ocupou o cargo de conselheiro. Anteriormente, ele trabalhara na sede da delegacia daquele Estado e tinha muitos conhecidos nesse setor. Quando era chefe da delegacia do Estado de Hiroshima, Ishihara sofria com os sintomas da radiação causada pela bomba atômica, mas fora salvo por intermédio do Johrei, tornando-se fiel. Graças à sua atuação e a de outros discípulos, o “Pedido de Construção de Cemitério Privado”, entregue no dia 12, foi deferido oficialmente no dia 15.

A obra teve início com o desmatamento e o aplainamento do terreno. Derrubou-se o aclive acentuado e aterrou-se a parte baixa, para aí se construir uma sepultura redonda constituída de três camadas, respectivamente com 12,7m, 11m e 9m de diâmetro. Na época, os integrantes do Grupo de Dedicação não chegavam a cem, mesmo juntando os de Hakone e os de Atami; além disso, entre eles também havia mulheres, de modo que, na realidade, era uma obra impossível de ser realizada em número tão limitado de dias. Recorreu-se, então, a uma firma construtora; entretanto, ao ser-lhe apresentado o projeto e mostrado o local da construção, ela recusou o serviço, dizendo que não poderia terminá-lo dentro do tempo estipulado. Obviamente, a situação não permitia adiamento do prazo, sendo, portanto, necessário realizar o trabalho com a força dos fiéis. Pediram-se dedicantes nas Igrejas mais próximas, e, até que todos os preparativos ficassem prontos e a obra fosse iniciada, já era dia 14. Mas, tão logo ela teve início, foi efetuada sem interrupção. Durante o dia, todos trabalhavam e, à noite, faziam revezamento a cada duas ou três horas.

O inverno de Hakone é rigoroso, e, à noite, faz frio a ponto de se sentir os ossos congelados. Entretanto, a tristeza superava a baixa temperatura, e a dor no coração era maior que a dor causada pelo frio, o qual penetrava na pele. Alguns dedicantes, carregando terra e usando pás, relembravam a figura e a voz do Mestre e não conseguiam reprimir os soluços.

Na hora do descanso, tanto os fiéis como os profissionais tiravam um cochilo com a roupa de serviço mesmo e, na hora do revezamento, acordavam e recomeçavam a trabalhar. Soma Naoji e outras pessoas encarregadas da obra não tinham tempo sequer para tomar banho, fazer a barba ou trocar de roupa, ficando realmente sem dormir e descansar.Devido ao frio e ao excesso de trabalho, o desgaste físico era intenso; por isso, todos aqueciam o corpo tomando água quente com açúcar e feijão doce com caldo, preparados para eles, engoliam ovos crus, a fim de ganharem força. Se, por um acaso, chovesse ou nevasse, a terra ficaria enlamaçada, o que dificultaria muito o serviço. Entretanto, naqueles quatro dias, felizmente quase não choveu nem nevou, de modo que a obra pôde ser desenvolvida conforme fora programada. Relembrando a época, Soma Naoji disse, comovido: “Trabalhamos realmente sem dormir e sem descansar. Quando penso naqueles dias, fico atônito, sem saber como pudemos agüentar. Até nós, que executamos a tarefa, não conseguimos acreditar quando ela ficou pronta. Ao lembrar-me daquele momento, não posso conter as lágrimas.”

O Sepulcro Sagrado foi construído pelas mãos de 1200 dedicantes e 555 profissionais, em pouco mais de três dias, iniciando-se no dia 14 e terminando na manhã do dia 17. Originariamente, ele era formado de três camadas de terra e não estava revestido com as pedras que o revestem hoje. À sua volta, não existiam as calçadas de pedra nem os gramados que existem atualmente, mas apenas alguns pinheiros altos e velhos, que ainda se erguem no local e em volta de cujas raízes só havia montes de terra preta.

O sepultamento

No dia 17 de fevereiro, às 2h da madrugada, apesar da temperatura abaixo de zero, um grande entusiasmo envolvia os últimos momentos da obra. Nessa mesma madrugada, no Solar da Nuvem Esmeralda, em Atami, com as ameixeiras vermelhas e brancas sobressaindo na escuridão da noite e o perfume do incenso pairando silenciosamente no ar, realizou-se um Ofício Religioso diante do ataúde do Mestre. Sob a liderança de Yoshi, que havia sucedido a ele como Segunda Líder Espiritual, a Oração Amatsu-Norito foi entoada serenamente. Ao término da cerimônia, com todo sentimento, os presentes depositaram flores no ataúde, e, em seguida, este foi carregado nos ombros por dez pessoas e colocado no carro funerário, atravessando a cidade rumo ao Templo Messiânico, quando ainda não tinha amanhecido.

No Templo Messiânico, os preparativos para o Culto de Ascensão já estavam prontos. No palco, onde fora pendurada uma foto de Meishu-Sama em tamanho real, e de ambos os lados da nave, havia mais de cem coroas de flores, enviadas pelo ministro da Educação e Cultura, pelo ministro da Agricultura e Florestamento e por outras pessoas. Os fiéis, que tinham começado a chegar à noite, elevavam-se a mais de dez mil na hora do culto, lotando até o espaço externo do templo. Naquela época, ainda não existiam poltronas no interior da nave, e os participantes ficavam todos de pé; apesar disso, não havia espaço nem para as pessoas se moverem.

A cerimônia teve início às 9h, com o som grave dos instrumentos musicais. Quando a oração do Culto de Ascensão começou a ser entoada, todos, a cada palavra que era dita, começaram a relembrar a figura do Mestre. Aqui e ali ouviam-se soluços abafados, que foram se multiplicando e ecoando pelo templo como o barulho das ondas, quando a maré está subindo. A seguir, foram apresentadas palavras de condolências por altas personalidades representativas do mundo religioso, político, financeiro, artístico e cultural, entre elas Miki Tokutika, líder da Entidade Religiosa P.L. Em seguida, foram lidos os telegramas enviados à Igreja. Lamentando imensamente a ascensão de Meishu-Sama, o presidente da Comissão de Preservação do Patrimônio Cultural, Takahashi Seitirõ, enviou as seguintes palavras: “Expresso o meu mais profundo respeito em relação ao trabalho por ele executado não só instituindo como se dedicando à Fundação Tomei de Preservação da Arte, para preservar as belas-artes japonesas, e também, dirigindo o Museu de Arte de Hakone, atividade através da qual ele divulgou o patrimônio cultural do país e contribuiu para a elevação da cultura. Eu tinha grandes expectativas de uma contribuição ainda mais longa de sua parte, de modo que expresso respeitosamente meu profundo sentimento pela sua súbita passagem e minha mais elevada consideração.”

Através das palavras dos participantes e dos telegramas enviados, as pessoas presentes ao Culto de Ascensão sentiram mais uma vez o grandioso trabalho realizado pelo Mestre, o qual abrangia não apenas o aspecto religioso, mas vários outros aspectos da cultura, inclusive o artístico.

Quando a leitura dos telegramas terminou, Yoshi, a Segunda Líder Espiritual, com uma vestimenta funerária de cor branca, fez o Ofertório de Gratidão. Sua figura mostrava a tristeza de ter perdido aquele que era seu Mestre e esposo, mas revelava a firme decisão de vencer a dor e prosseguir o trabalho que ele havia deixado.

As 11h, o ataúde foi novamente levado para o carro funerário, que, acompanhado por um carro-guia e seguido por mais de trinta veículos, passou por Odawara e rumou para Gora, em Hakone. Imediatamente após a chegada àquele local, foi realizado solenemente o Culto de Sepultamento, frente ao Sepulcro Sagrado, que acabava de ser concluído.

No Sepulcro Sagrado, havia uma abertura lateral voltada para o nordeste, com a entrada na direção sudoeste. Como que deslizando, o ataúde foi sendo colocado vagarosamente no fundo dessa abertura, até ficar depositado no centro da sepultura esférica. A seguir, os familiares de Meishu-Sama, os dirigentes de Igreja e os dedicantes que o serviam de perto foram, um a um, colocando uma pá de terra para fechar a entrada do sepulcro. Assim, o corpo do Mestre ficou descansando eternamente nesse local, com a cabeça voltada para o nordeste e os pés para o sudoeste.

A eternidade da vida

No dia 4 de outubro de 1952, Meishu-Sama dialogou, em Hakone, com Issato Tsuneatsu, vice-diretor do Departamento Científico do jornal Yomiuri:
- Apenas o senhor possui essa bola de Luz?
- Exatamente.
- Sendo assim, caso daqui a uns cem anos o senhor venha a partir para o Mundo Espiritual, ela passará a não existir ...
- Pelo contrário. Eu irradiaria a Luz do Mundo Espiritual. E seria melhor ainda, pois o corpo físico atrapalha.
Assim, nesse diálogo, o Mestre disse claramente que, embora viesse a ascender, continuaria a enviar Luz aos fiéis, e até com mais intensidade.


(Na próxima edição: “A vida eterna”)